Splatoon - Como criar um shooter único e original

Olá leitores! Como andam? Estavam com saudade das resenhas deste blog? Estavam?... 

Não?... 

Whatever.

Quando eu vi os primeiros trailers e vídeos a respeito de Splatoon minha vontade de jogá-lo era baixíssima, primeiro porque eu, definitivamente, não gosto de jogar shooters e segundo porque me parecia uma ideia meio batida. 

Mas, isso foi um preconceito de primeiro momento e quando descobri que o jogo estava sendo dirigido pela Nintendo EAD que é um estúdio de desenvolvimento dentro da própria Nintendo, responsável pela produção de Super Mario Galaxy um jogo sensacional, diga-se de passagem, ganhei um pouco de confiança no desenvolvimento do título. 

Então, muitos amigos meus compraram o jogo e começaram a falar tão bem dele que me senti tentado a compra-lo também. Eu tenho um Wii U há alguns anos e tinha muitos jogos de peso e nome que eu queria comprar, como Bayonetta 2 e Xenoblade Chronicles X, dar uma chance ao primeiro jogo de uma franquia totalmente nova era um tiro no escuro. Mas, aí comprei, joguei por umas quatro horas sem parar e logo após comprei uma lula de estimação em um pet shop aqui por perto... Se o jogo é bom? 

Splatoon foi considerado o melhor shooter e melhor multiplayer de 2015 pelo Game Awards, O QUE VOCÊ ACHA? 

E eu tenho que admitir, a Nintendo é digna de BOLAS. Em um mercado onde todo jogo do gênero shooter lançado era com temática de apocalipse zumbi, guerra ou qualquer outra coisa sombria e serious business, produzir um jogo onde lulas antropomórficas se matam atirando tinta para todos os lados era no mínimo arriscado. 

Porém, estamos falando da Nintendo, uma das poucas empresas que conseguem pegar ideias criativas e fazer bom uso delas. 

Mas, estou divagando, vamos logo avaliar este jogo... 

Colorido demais? IMAGINA! 

Vocês devem estar se perguntando o porquê de eu ter pulado a avaliação a respeito do enredo do jogo e ter vindo direto falar dos aspectos visuais dele. Bom, por um motivo bem simples, esse jogo não tem um enredo elaborado o suficiente para dissertar a respeito, apenas um bem simples, simples o suficiente para dar uma justificativa aos acontecimentos e eventos, sendo algo bem superficial e simplista. Não estou criticando a história, não me interpretem mal (como muitos costumam fazer), ela apenas não foi feita para receber muita atenção. 

Com relação aos aspectos artísticos e visuais, tenho que dizer que Splatoon explora muito bem as capacidades do Wii U. As animações fluem relativamente bem, principalmente quando os inklings mudam de forma. Os detalhes nas texturas usadas nos objetos e no cenário também não se saíram mal, mas também não chegam a dar aquele gosto de se olhar por algum tempo, não é nada impressionante, apenas ok e aceitável, pelo menos na maior parte do tempo enquanto eu jogava. 

Minha melhor observação quanto a arte é na escolha de cores, texturas e objetos para comporem os cenários dos estágios e arenas. No modo online de batalha regular os cenários possuem cores mórbidas na maioria das texturas e objetos, o que é uma ótima decisão para a proposta do título, já que eu vou pintar um campo inteiro com a cor do meu time que seja um campo que esteja precisando disso. 

É bem legal ver como um lugar com cores anêmicas ganha vida com tanta tinta espirrada para todos os lados ao longo da partida. Na verdade, a própria tinta tem um belo efeito líquido com o jogo de luzes e o formato dela, parece mesmo aquela tinta fresca que estamos acostumados a ver nessa merda que é a vida real. 

Há também, é claro, campos com muitos efeitos visuais, cheio de cores e tudo mais, e são muito bonitos esteticamente falando, claro. Mas, o campos simples se tornam meus preferidos pelos motivos que falei acima. 

Os cenários do modo online não chegam a ser um espetáculo visual, são apenas bonitos e aceitáveis. Porém, no modo Single Player o negócio é mais em cima! Os panoramas são bonitos pra cacete de se olhar, com cores fortes e temáticas surrealistas que te dá até gosto de jogar em certas fases. Cada estágio tem um tema, alguns se passam em uma cidade futurística, outros são peculiaridades do próprio jogo, como eu falei ali em cima, são temas surreais, o que se torna meio difícil de se explicar com palavras. Por isso vou usar uma imagem para explicar, veja isso e me diga se não é uma obra de arte. 

O mais legal, é que Splatoon consegue criar uma identidade visual própria, algo difícil de ser feito nos jogos fantasia e imaginativos de hoje em dia. O pessoal da produção artística deste jogo merece receber um abraço e um encontro com a Bruna Marquezine... 

Mesmo que eles passem o encontro inteiro contando a ela o porquê de gostarem mais da primeira trilogia de Star Wars do que a segunda enquanto soam feito porcos na sauna. 

Garanto que nenhuma lula se feriu na produção deste game 

Acho que todos já sabem que Splatoon é um shooter, a menos que tenha sofrido um acidente de ônibus e pego amnésia para não ter conhecimento deste fato. O jogo tem um modo Single Player e um modo Multiplayer Online, o primeiro a maioria das pessoas estão cagando e andando, não recebendo a atenção que eu acho que deveria receber. O modo online, sendo extremamente sincero, é bem melhor que o modo Single Player, e não é a toa que perto dele ninguém o nota. 

Falarei primeiro do modo Online já que é dele que você, provavelmente, quer saber primeiro. Basicamente o jogo me coloca em partidas de quatro contra quatro onde o principal objetivo é pintar ao máximo o lugar onde se passa a rodada, ganha o time que tiver pintado maior área. Uma premissa bem simples para um gameplay, mas a Nintendo adicionou tanta coisa na jogabilidade e nas regras das partida que deixaram as jogatinas MUITO EMOCIONANTES. 

E com emocionante eu quero dizer emocionante de fato, porque as vezes em que meus vizinhos invadiram minha casa assustados a procura de brigas, tragédias e assassinatos e só encontraram um jovem maluco gritando na tela da TV com uma pistola de tinta na mão não foram poucas. 

Ao longo das minhas partidas eu conseguia experiência a cada disputa e com ela adquirir armas novas, novos power-ups e roupas que adicionam atributos e outros power-ups ao meu avatar. Existe uma quantidade imensa de armas que variam entre pistolas, canhões, snipers, rolos de pintura do tamanho de um ônibus e até baldes (wtf?), e eles possuem diferenças explícitas, alguns são mais potentes, outros pintam áreas maiores, outros são melhores para derrotar os adversários, e assim por diante. E diga-se de passagem, essa variedade de armas enriquece muito o gameplay, te fazendo passar um bom tempo escolhendo e experimentando várias delas até achar um que seja ideal para você ou que seja apenas mais divertido. 

Vale lembrar que, assim como roupas e acessórios, as armas foram sendo desbloqueadas para serem compradas enquanto subia de nível, o que torna a passagem de nível algo mais simbólico dentro do gameplay, eu nem me importo de mostrar para outros players que tinha um nível mais alto que eles, é muito mais divertido ir correndo para a loja de armas ver quais as novos equipamentos que poderei comprar após subir um level. 

Controlar o inking é algo fácil, não requer muito treino para pegar os controles e mecânicas do jogo. A jogabilidade e os controles nas partidas são ótimos, eu não tive nenhum problema para controlar o meu avatar nas disputas, nem para mirar ou utilizar os recursos do gameplay. Para mirar temos que usar o tilt do gamepad do Wii U, que funciona extremamente bem, apesar de nos primeiros minutos de jogo incomodar um pouco para quem não estiver acostumado a ter que movimentar o controle para movimentar a câmera. 

Mas, graças a Din, Nayru e Farore é possível mudar esse esquema para controlar a câmera do jogo pelo control stick direito do gamepad. 

No gameplay tive que controlar o Inkling para pintar o cenário e derrotar o time adversário, com o direito que atirar nos inimigos e fazê-los darem respawn do outro lado do campo, que é uma das melhores sensações do mundo, verdade seja dita. Eu só podia utilizar uma arma principal e uma arma secundária (Bombas, armadilhas, etc) durante as minhas jogatinas, elas não são ilimitadas, e para recarregá-las tinha que entrar na tinta da cor meu time e "surfar" por ela até recarregar tudo. 

Sim, você não leu errado, eu falei entrar na tinta literalmente, porque os inklings viram lulas e nessa forma podem entrar na tinta e nadar por ela bem mais rápido do que andando normalmente. Essa mecânica é GENIAL, não só é útil para chegar mais rápido aos lugares como também nos permite nos esconder dos inimigos e cometer uns dos sete pecados capitais dos shooter: 

Ficar de CAMPING!... Pois é!

E o mais legal dessa mecânica é que eu só podia surfar dentro da tinta da minha cor na partida, o que me permitia ser criativo para acessar diversos lugares abusando disso. Diversas vezes eu joguei tinta na parede para escala-la e alcançar um local mais alto ou passar por um local mais apertado sem ser notado por ninguém. 

Acho que os cenários poderiam ter sido melhor arquitetados para aproveitarem mais dessa mecânica. Não que o level design das arenas não tenha sido bem planejado, até porque é o primeiro jogo de uma franquia e muitas coisas aqui são só experimentais, só espero que Splatoon 2 tenha feito um melhor aproveito desse conceito.


Além disso, cada arma possui uma "habilidade especial" que pode ser usada após pintar uma quantidade considerável de espaço do cenário, pode ser um canhão, um escudo, virar uma porra duma lula gigante que devora os adversários ou sacar um míssil foguete dão destrutivo que faria Kin Jong Un derramar uma lágrima de orgulho. 

O modo Multiplayer Online de Splatoon é, sem nenhuma sombra de dúvidas, um dos mais únicos que já foram desenvolvidos. Já joguei alguns jogos com essa pegada de desafiar os outros a ver quem conquista o maior pedaço do cenário (Jeez, até Tony Hawk Pro Skater 4 fazia isso). Splatoon tem mecânicas únicas, que se harmonizam perfeitamente uma com a outra, e acho difícil alguém experimentar algumas partidas e não se divertir. 

Claro que há defeitos, isso é inegável, e já que não falei deles em nenhum momento vou aproveitar agora para relatá-los. O sistema do modo online é meio injusto, lembro-me que nas primeiras partidas eu estava no level 1 e tinha que jogar contra japoneses no level 50, e levando em consideração que japoneses não tem vida social e passam 90% de suas vidas miseráveis jogando e assistindo animes, suas habilidades em Splatoon eram INSANAS, eu tinha a sensação de estar enfrentando deuses nas jogatinas. Esse jogo poderia ser mais organizado e ter um modo para iniciantes jogarem contra oponentes de nível próximo, não deixando o modo online tão desbalanceado. 

Fora isso, meu único problema com o modo multiplayer online é que ele tinha a capacidade de ser algo muito mais grandioso. Existem ótimas idéias aplicadas aqui e são bem executadas, sem dúvidas, mas houveram muitas chances de criarem algo que pudesse abusar mais dessas ideias e criar um shooter, além de único e original, uma referência, uma masterpiece, e ainda há chão para Splatoon alcançar este patamar.

O modo Single Player também tem sua relevância, mas ainda não chega a passar uma experiência tão imersiva quanto o modo Online. A campanha individual é composta de um Hub World onde podemos acessar as fases, que são acessíveis através de plataformas invisíveis que só aparecem depois de atirarmos bastante tinta nelas. Todas as fases possuem ambientações diferentes, mas nenhuma delas sem parecer fora do lugar ou que não tivesse a ver com a proposta de mundo do jogo. 

O level design não é ruim, possui muitos trechos e seções bem criativas, além de cada fase ter sua própria estrutura. Por exemplo, tem fases onde me focava mais em derrotar os octarians sem ser notados por eles, com aquela leve pegada de Stealth, havia outras fases em que eu precisava ser mais rápido e desviar dos obstáculos e em algumas delas tinha que enfrentar octolings (Uma espécie de Inkling DO MAAAL) bem ao estilo das partidas online. Além do mais, há muitas seções de plataforma que são inteligentes e me faziam usar bastante as habilidades do meu avatar. Tem uma fase, inclusive, que eu tinha que atirar em um ventilador para fazer as plataformas andarem, e assim controla-la de forma a chegar da melhor forma ao final da fase. 

Não são a coisa mais inovadora do mundo, mas é inteligente e bem feito, e isso só já basta. 

YOU'RE A SQUID NOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOWWWWWWWWWWW!!!!!!!!!!!! AHHHHHHHH!!!!

EU NÃO GOSTO DA TRILHA SONORA DESTE JOGO, ACEITEM!

Mas, ainda sim, ela é boa, e isso é inquestionável. As músicas tem tudo a ver com a atmosfera do jogo, principalmente as do modo online, que são animadoras e agitadas, além de outras que tocam nos menus, lojas e nas fases do modo single player. Músicas como "Splattack!", "Seaskape", "Ink or Sink" e "Friend List" tem toda uma pegada de pop rock e uns efeitos remixados de fundo que deixam a trilha sonora deste jogo apreciável. 

Meu único ponto negativo é que as músicas são muito semelhantes umas as outras, o que torna difícil para recordar alguma após a jogatina. Tirando a música tema do título não tem nenhuma outra que tenha sido realmente memorável, e isso é ruim. 

Viram? Essa é a diferença entre gosto pessoal e senso crítico! Aprendam, não é porque eu, pessoalmente, não tenha gostado das músicas do jogo que não consiga avalia-las de forma objetiva.

Considerações Finais
Seja lá quem for o responsável por essa fanart, o sujeito merece passar uma noite inteira na cama da Scarlett Johansson

Splatoon não só é um dos melhores jogos de 2015, mas um dos melhores jogos do Wii U, se você tem este console saiba que é uma obrigação tê-lo em sua estante de jogos, e não tenha dúvidas, esse jogo vale o preço a ser pago. Tem falhas, claro, é o primeiro jogo de uma nova franquia da Nintendo e dá para perceber que o pessoal não mergulhou totalmente na idéia deste jogo, o que dá margem para criarem muita coisa nos próximos jogos. 

Independente de qualquer coisa, Splatoon é uma dos jogos mais originais que já joguei, o mundo é absurdamente surreal e imersivo, os inklings são carismáticos, o gameplay tem propostas criativas além de ser bem sólido, etc. Eu poderia fazer uma lista de coisas que tornam esse jogo tão único, mas lamber o saco deste jogo mais do que lambi até agora seria apenas dar voltas em círculo, ainda mais porque acho que vocês já pegaram a ideia. 

Sim, eu sei que já saiu Splatoon 2, não vivo em uma caverna... Eu acho. Não pesquisei muito sobre esta continuação, pois, pretendo me manter nulo e não criar nenhuma expectativa antes de jogar o jogo. Pelo que meus conhecidos me disseram, o jogo continua ótimo sem muitas novidades, o que pode ser algo negativo ou positivo dependendo da forma como olha. 

Só o que eu tenho a dizer é OBRIGADO NINTENDO, e não pare de arriscar e apostar em novas ideias, o universo gamer está precisando disso. 

História: --
Músicas/Sons: 7
Jogabilidade/Gameplay: 9
Estética Visual: 9

Prós: 
Gameplay sólido e controles simples
Conceitos e boas idéias para um shooter
Multiplayer Online nunca foi algo tão intenso 
Surfar na tinta em forma de lula é uma das coisas mais divertidas que você fará na sua vida
Umas 999.999 armas para você usar 

Contras: 
Modo online um pouco desbalanceado 
Mecânicas e conceitos poderiam ter sido melhor explorados

Nota Final: 8.8 

E agora, um presentinho para vocês

Eu sei que vocês já dedicaram uma bronha especial a Callie e a Marie, não adianta tentar virar o rosto e fingir que não leu isso agora, NÃO TENTEM ME ENGANAR!

See Ya!

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