The Legend of Zelda: Breath of the Wild é um jogo genial! Mas, não perfeito


É, pois é, eu joguei Zelda: Breath of the Wild, eu continuo jogando desde o mês de março e, para a surpresa de ninguém, estou gostando tanto deste novo Zelda que um dia joguei ele por dez horas ininterruptas até meu coração resolver me dar um toque dizendo que eu iria ter uma parada cardíaca se não parasse de jogar um pouco. Claro, como não tenho muito tempo para jogar eu acabo por demorar três vezes mais tempo que alguém levaria para, pelo menos, finalizar BotW. Mas, isso não é um problema para mim, prefiro jogar um jogo ao meu ritmo e ao meu tempo, pois assim posso aproveita-lo da melhor forma, porque na época em que foi lançado a comunidade gamer estava tão estérica e agitada que fariam as manifestações contra a Dilma em 2014 parecerem passeio de escola do quinto ano. Acabei de perceber que esta é a terceira vez que falo da Dilma aqui no blog, algo deve estar errado comigo...


Me lembro de ter presenciado os primeiros anúncios e trailers de Breath of the Wild, o primeiro aconteceu em uns dois ou três meses após o lançamento do Wii U, se me lembro bem, em 2013. Claro, ninguém deu a mínima para isso, nada mais do que a Nintendo dizendo que seu novo videogame terá um novo Zelda, algo tão incomum quanto o céu ficar claro de manhã e escuro à noite... Eu fui sarcástico, tá? No entanto, a direção mudou de rumo quando o suposto "Zelda do Wii U" recebeu seu primeiro trailer na E3 de 2014 onde mostra o Eiji Aonuma, produtor do jogo, explicando todos os principais conceitos que foram iniciados na série Zelda, toda essa coisa de criar um mundo aberto e sem limites onde a única direção que você deveria seguir seria sua vontade, assim ele nos mostra um cenário enorme e utópico, dizendo que podíamos ir até onde nos déssemos na telha e logo em seguida mostra uma rápida cena do Link com uma roupagem totalmente nova ao mesmo tempo em que enfrenta uma espécie de criatura mecânica estilo steampunk. Tudo isso com gráficos estilo cel-shading que, obviamente, ficaram atraentes para um caralho.

Acho que nem preciso dizer que todos os fãs da série ficaram tão eufóricos que tiveram ataques epiléticos enquanto assistiam ao trailer.

Logo após esse marco na história da humanidade, a Nintendo revelou um pouco sobre o gameplay do jogo na Game Awards ainda em 2014 em um vídeo onde Eiji Aonuma e Shigueru Miyamoto jogam o título e mostram um pouco de como funcionará a jogabilidade e tudo mais. Esse pouco que dava para ver já dava uma pequena noção de como seria toda a imersão que o jogo poderia nos proporcionar, com o Link andando de cavalo e planando igual o Knuckles usando um lençol após pular uma montanha. Nesse mesmo vídeo eles afirmaram que o jogo seria lançado em 2015. Acontece que o jogo não foi lançado no próximo ano e foi adiado umas 10 vezes até que finalmente se decidiram lança-lo em 2017, e até lá os fãs ficaram tão eufóricos e ansiosos que parecia que a próxima vinda de Jesus Cristo estava chegando.

Foi então na E3 de 2016 que saiu um trailer do jogo em que podíamos ver o gameplay definitivo, os gráficos e como provavelmente sairia o produto final. Obviamente que o trailer era espantosamente lindo! Três minutos de puro prazer psicológico e, pelo visto, sexual para algumas pessoas. O trailer, basicamente, nos mostra todos os diferentes tipos de terreno, paisagem e clima que estariam presentes no título, indiretamente dizendo que haveriam uma penca de lugares para ser explorado, nos mostra também muitas visões panorâmicas para esfregar na nossa cara o quão grande e imersivo era o mundo dentro do jogo, e também mostrou a jogabilidade e os recursos que poderíamos utilizar e praticar, como subir montanhas, andar a cavalo, planar com uma cortina, etc.

Logo em 2017, saiu o último trailer realmente relevante, com toda aquela coisa de "Óooh, agora BotW será lançado também para o Nintendo Switch, poderá ter mais recursos, poderá lhe proporcionar mais diversão, mais beleza, poderá até te arranjar um encontro com a Gal Gadot, etc", claro que a Nintendo queria promover a todo custo o seu novo console, e não que ela estivesse errada nisso, mas, 90% do público que iria jogar BotW jogaria no Wii U, incluindo esse ser místico que os fala. Claro que esse trailer também era espetacular e deve ter feito uma multidão de marmanjo chorar de felicidade.

Tá, aí em março deste ano o jogo foi lançado, os mais abençoados puderam jogá-lo, o resto da comunidade gamer não parava de falar disso e eu fiquei tão eufórico e desesperado para jogar esse Zelda quanto um leão faminto observando um bife mal passado do lado de fora da jaula. A galera tratava Breath of the Wild como a maior invenção da raça humana depois da lâmpada e do motor à gasolina, alguns até mesmo diziam que o jogo era revolucionário! Jeez! O negócio era tão feio que jornalistas e sites que criticaram o jogo foram boicotados e hackeados, se me dissessem que eles receberam ameaças contra suas famílias eu realmente não ficaria surpreso.

Ok, aí eu joguei o jogo logo mesmo no mês de março e, como falei no primeiro parágrafo deste artigo, amei esse Zelda com todas as forças do fundo da minha alma, porém, ele não é tudo isso que os trailers e o civilização moderna de jogadores fez parecer.


Bom, vou começar apontando os elogios que tenho para esse jogo, porque se eu começar com as críticas agora é capaz de amanhã de manhã eu acordar sem meus membros superiores e inferiores com meu quarto todo sujo de sangue com a parede escrita "Fanboys da Nintendo estiveram aqui". Eu sei! Eu sei que o que não falta por aí é artigo e texto lambendo o saco de Breath of the Wild como se ele fosse capaz de ressuscitar os mortos, mas eu preciso, pelo menos evidenciar aqui quais foram os principais fatores e causas que tornaram esse título tão aclamado e idolatrado pelo público logo no lançamento. 

Acho que a melhor palavra que define esse jogo seria "Liberdade", pois BotW proporciona a quem o joga a sensação de que podemos fazer exatamente o que nós quisermos, quando quisermos e, melhor ainda, da forma que quisermos, algo parecido com a sensação de jogar o primeiro Zelda de NES, ao iniciar você se pergunta: "Espera aí, posso fazer o que eu quiser? Não existe nenhum tutorial? Não existe uma ordem específica de cenas e momentos em linha reta que devo seguir até o final do jogo? Tá tudo liberado?". Esse deve ser o primeiro fator de qualidade e originalidade do jogo, sua experiência será feita por você e somente você, através das escolhas vai tomando ao longo do jogo, dos lugares que explora, das pessoas com quem conversa, dos inimigos que derrota, das dungeons que encontra primeiro, etc. 

Lembro que comecei a jogar ao mesmo tempo que um colega meu de faculdade, e era muito interessante como eu e ele, ao conversarmos sobre o jogo, tínhamos visões distintas sobre o mesmo, ele achava a dificuldade baixa enquanto eu jurava que era elevada. O motivo de eu capengar mais que ele no jogo é que no início eu ignorei muitos pontos e caminhos e resolvi ir até os lugares que, particularmente, me pareciam mais interessantes de se explorar, isso me levou a enfrentar desafios um pouco elevados para um jogador iniciante. E isso não é ruim, pois o único culpado pela dificuldade era eu, o jogo estava literalmente nas minhas mãos. 

Breath of the Wild também presenteia muito bem aqueles que se esforçam, como todo bom jogo de exploração deve fazer, quanto mais você enfrentar inimigos, mais explorar dungeons e cenários do open world e mais ajudar as pessoas e conversar com elas, mais itens, como armaduras, armas e comida, ganhará, aumentará seus pontos de vida ou stamina, ganhará acesso a determinados pontos do mapa, etc. Quanto mais explora, mais esse mundo vai se expandindo para o jogador, e tudo isso é feito de forma natural e sem parecer forçado. Nos sentimos felizes e animados com nós mesmos, porque sabemos que toda recompensa dada ao longo da jogatina é consequência de nossas próprias escolhas e ações, não existe um tutorial, seta, ou mensagem nos indicando o que devemos fazer, o jogo respeita nossas decisões e reage a elas, todo o cenário á volta está conectado ao jogador principal. Por isso, quando conseguimos resolver um puzzle ou uma dungeon neste jogo, nos sentimos, como eu falei acima, mais felizes, mais inteligentes, porque temos a impressão de que tudo ocorreu graças a nossa própria inteligência e habilidade, e não porque o jogo nos disse o que devíamos fazer.

Um outro fator é como o jogo deixa o jogador utilizar o seu senso lógica para resolver os desafios que lhe são apresentados, e como essa mesma lógica pode atrapalha-lo. Por exemplo, é divertido quando a stamina começa a acabar mais rápida quando subimos locais mais desinclinados, é divertido quando percebemos que nadamos mais rápido ao mergulhar sem roupas, é divertido quando faz frio e precisamos arranjar uma forma de nos aquecer, usando uma roupa apropriada ou comendo pimenta, é divertido quando percebemos que a temperatura corporal desce ao entrarmos na água e alguns segundo após sair dela e é divertido quando jogamos comida no fogo e ela esquenta, recuperando mais pontos de vida ao come-la. O jogador enxerga uma lógica e ela é prevista no jogo, e tudo deixa o mundo no qual estamos explorando mais imersivo.

O jogo não é vivo apenas pelas lógicas que o jogador pode se aproveitar, mas por todos locais e npc's diferentes que rodeiam o mundo, todos tem uma história, todos os locais tem uma lenda cultural disseminada entre as pessoas de lá, todos passam por problemas pessoais e sociais, alguns ligados diretamente ao enredo principal, o melhor de BotW é que nada disso é obrigatório de ser observado, não existem CG's ou cenas de conversas que são obrigatórias de serem assistidas para poder progredir, o mundo tá lá, se você quiser conhece-lo e se aprofundar nele isso será uma escolha sua! Quer só encontrar os itens valiosos e resolver umas dungeons sem conversar com ninguém ou prestar atenção em nada para em seguida ir para o boss final? Tudo bem. Quer conhecer todos os personagens secundários espalhados no jogo, entender toda as mitologias e histórias presentes nos diversos lugares e, só assim em seguida, ir para o boss final? Tudo bem também, afinal, você é livre aqui.

Até aqui acho que já consegui esclarecer os principais fatores que fizeram de BotW tão chutador de bundas, não vou me aprofundar com outras coisas como história, gráficos, arte ou jogabilidade, até porque isso aqui não é uma review e uma review desse jogo só vai sair em 2029, porque eu já estou jogando há meses e, aparentemente, não cheguei nem na metade ainda. O que eu quero deixar evidente neste artigo são duas coisas, primeiro, porquê considero esse Zelda um jogo genial (O que todo mundo meio que já sabe, e só pode, talvez, não ter compreendido tudo direito ainda), e segundo, porque ele não é a coisa mais perfeita e incrível já criada e porque não devemos abraça-lo logo quando vemos o seu nome pela primeira vez, e essa parte chata do artigo virá agora... 


Certo, admita que você estava ansioso por essa parte do artigo, eu sei que a maioria dos leitores deste blog gostam de ler críticas engenhosas e bons argumentos para comprovar a baixa qualidade de algum jogo. Então aqui vai, começando pelo fato de que BotW tem um número de tipos diferentes de inimigos relativamente baixo, eu me senti um pouco frustrado ao explorar tantos lugares diferentes e com sua própria ambientação e perceber que os mesmo inimigos que eu já tinha enfrentado estavam só se repetindo, mudando somente sua cor para indicar o nível de sua força. Não me compreendam mal, não estou dizendo que há poucos tipos diferentes de inimigos no jogo, estou dizendo que, COMPARADO ao número de ambientaçōes e geografias distintas, o número de espécies diferentes de inimigos parece meio baixo ou, pelo menos, passa essa impressão, isso não quer dizer que a variação seja baixa, em um jogo comum ela seria bem adequada para ser sincero. 

Outra coisa que chegou a me incomodar um pouco é a baixa durabilidade das armas. Não, elas não duram muito, duas ou três briguinhas e elas já se destroçam. Para quem não sabe, as armas deste jogo não são eternas, e depois de usadas por um certo lapso de tempo são quebradas, e isso é um conceito muito bom para ser sincero, além de deixar o jogo mais vivo, faz com que o jogador precise calcular melhor o uso destas, observar quais momentos são melhores para usar as armas mais fortes e quais são para as armas mais fracas. O jogo conta com uma quantidade imensa de armas diferentes, desde espadas, lanças, machados, etc, e se fossem eternas facilitaria muito a jogatina, porque boas armas não são difíceis de se encontrar, porém esse sistema de durabilidade faz o jogador dar mais valor a elas. O problema, que eu apontei acima, é a baixa durabilidade e como isso chega a atrapalhar em certos momentos. 

Um outro problema que precisa ser relatado é os constantes slow downs que rolam durante o jogo, e já vou dizendo que não são poucos. Era muito comum eles acontecerem quando muitos objetos se movimentavam no terreno, a objetos eu me refiro a inimigos, npc's, objetos propriamente ditos, etc. Os slow downs atrapalham a jogatina e reduzem consideravelmente o desempenho do jogo? Não mesmo, Sonic 2 tinha slow downs, Mega Man tinha slow downs, acho que até alguns títulos de hoje sofrem slow downs, e isso não estraga a obra, até porque ninguém liga desde que isso não atrapalhe de forma considerável, como, por exemplo, bugs. Porém, ainda sim, estamos falando de um defeito, e um defeito não deve ser ignorado, não devemos fingir que não vemos defeitos nos jogos.

É... Por incrível que pareça, esse são os únicos defeitos que eu consigo me lembrar no momento, pode ser que ao jogar novamente eu note mais alguns, mas até onde me lembro bem esse foram os mais notáveis, pelo menos para mim. O jogo tem sim muitos defeitos, mas, em comparação a tamanhas qualidades, esses defeitos são quase que imperceptíveis! Mesmo que eu tente observar atentamente, como um cão farejador, à procura de erros eu não consigo, eu tenho que admitir, mas BotW é um daqueles títulos que merecem, de fato, serem reconhecidos como uma masterpiece.


Eu tento, em meus textos, nunca cair no senso comum, nunca entrar na massa e na mediocridade, eu realmente não queria escrever mais um artigo lambendo e chupando Breath of the Wild como a maioria faz, porém tenho que admitir que isso foi difícil. Primeiro, porque quando um jogo é bom, a coisa mais difícil é mostrar com palavras o que o torna bom, se não cai no senso comum. Segundo, porque, como eu falei ali em cima, BotW é incrivelmente bom, e não, eu não estou só repetindo a mesma falácia de todos os fãs e outros jogadores que experimentaram o título, BotW É um jogo bom, e isso, objetivamente falando, é inegável. Por isso é tão difícil não cair no senso comum. 

De qualquer forma, acho que já consegui explicar aqui de forma clara tudo o que eu penso sobre Breath of the Wild, claro que não me aprofundei em detalhes porque, novamente repetindo, não estou escrevendo uma review, estou somente escrevendo um artigo que tenta dizer quais os principais pontos positivos e negativos deste novo Zelda. Eu vou ser sincero, eu gostei da forma como o jogo inova dentro da franquia, de forma a manter a essência e adicionar conceitos novos, algo muito difícil de se fazer e o motivo de tantas séries de jogos terem se perdido nos dias de hoje por não fazerem isso direito. Temos dungeons, só que mais simples, sem serem complexas e grandes demais, mas que ainda fazem os jogadores pensarem e raciocinarem. Temos as mais diversas armas, mas elas quebram, o que nos fazem dar mais valor a elas, diferente dos jogos anteriores. Temos itens que recuperam nossos pontos de vida, mas aqui podemos explora-los e torna-los muito mais eficientes. Breath of the Wild é sem dúvida um amadurecimento da série como um todo, e espero do fundo da minha alma que essa tendência continue. 

Mas, claro, se erros surgirem eu vou denuncia-los porque, afinal de contas, não deixo que um fanatismo bobo por uma série de jogos me cegue e me impeça de dizer o que tem de ser dito. 

Enfim, é isso, se vocês gostaram, comentem aqui no blog, divulguem e me façam declaraçōes de amor. Estou no momento jogando Mega Man Legends, logo logo postarei uma review aqui no blog, enquanto isso peço para terem paciência. Um abraço! 

See Ya!

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